Durante décadas, os seguidores de O Senhor dos Anéis debateram durante décadas uma pergunta aparentemente simples: se as Grandes Águias podiam percorrer enormes distâncias, por que razão não levaram Frodo diretamente até Mordor para destruir o Um Anel?
Embora o universo criado por J.R.R. Tolkien ofereça explicações para esta questão, um videojogo lançado há mais de uma década decidiu abordar o tema diretamente.
Trata-se de O Senhor dos Anéis: A Guerra do Norte, um RPG de ação desenvolvido pela Snowblind Studios e publicado em 2011.
Uma aventura ambientada durante os acontecimentos de O Senhor dos Anéis
A Guerra do Norte apresenta uma história paralela aos acontecimentos da trilogia original.
Os jogadores controlam um grupo de personagens que enfrentam as forças de Sauron enquanto a Sociedade do Anel continua a sua missão.
Uma das personagens mais marcantes é Beleram, uma Grande Águia que ajuda os protagonistas durante parte da aventura.
A sua presença permite ao jogo explorar diretamente uma das questões mais conhecidas da história de Tolkien.
Então, por que razão não utilizar as águias?
Durante a aventura, os protagonistas podem conversar com Gandalf e perguntar-lhe precisamente por que razão as Grandes Águias não poderiam ser utilizadas para transportar o Anel até Mordor.
A resposta é bastante lógica dentro do universo de Tolkien.
As águias não são criaturas que estejam sob as ordens de Gandalf ou dos habitantes da Terra Média. São seres independentes que podem decidir quando intervir e quando não o fazer.
Além disso, transportar o Anel diretamente para Mordor não seria uma missão simples.
Voar em direção a Mordor não significa passar despercebido
Um dos principais problemas seria o enorme risco de serem detetados.
Uma Grande Águia a atravessar os céus em direção a Mordor dificilmente passaria despercebida pelas forças de Sauron.
O território inimigo estava fortemente protegido e o próprio Olho de Sauron representava uma ameaça constante.
Por isso, utilizar as águias como se fossem um transporte aéreo seguro poderia acabar por se transformar numa missão suicida.
As águias também não eram um exército
Outro pormenor importante é que Gandalf não podia simplesmente ordenar às Grandes Águias que participassem na missão.
No jogo, fica claro que personagens como Gwaihir, Senhor dos Ventos, eram aliados de Gandalf, mas não estavam sob o seu controlo.
Isto explica por que razão a sua participação em determinados momentos da história não significa que pudessem ser utilizadas livremente para qualquer missão.
E se o Anel tivesse sido atirado para o oceano?
O videojogo também coloca outra possibilidade curiosa: levar o Anel para longe de Mordor e atirá-lo ao mar.
No entanto, esta alternativa também não garantia a sua destruição.
O principal problema era que o Um Anel não podia ser destruído através de métodos convencionais. O seu destino estava ligado ao fogo de Orodruin, o Monte da Perdição.
Por isso, simplesmente escondê-lo ou atirá-lo para um lugar remoto não teria realmente resolvido o problema.
Os dragões poderiam destruí-lo?
A conversa com Gandalf chega mesmo a colocar outra possibilidade ainda mais surpreendente: utilizar o fogo dos dragões.
Mas também não funcionaria.
Segundo a explicação apresentada no jogo, nem mesmo Ancalagon, o Negro, considerado um dos dragões mais poderosos da história de Tolkien, teria tido poder suficiente para destruir o Um Anel através do seu fogo.
Isto volta a pôr em evidência uma das características mais importantes do Anel: a sua destruição exigia circunstâncias extremamente específicas.
Um pormenor curioso que ainda gera debate
Embora A Guerra do Norte foi lançado em 2011, a sua resposta continua a ser interessante para os seguidores de Tolkien porque aborda diretamente um dos debates mais recorrentes da saga.
O jogo não transforma as águias numa solução mágica para a viagem de Frodo. Pelo contrário, mostra que utilizá-las teria envolvido numerosos riscos e que não podiam ser consideradas um simples meio de transporte.
A própria história de Tolkien também deixa claro que as Grandes Águias têm vontade própria e não funcionam como uma força militar ao serviço dos protagonistas.



















Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro.